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Jornal do Brasil – RJ, 30/07/2006,Caderno
B, B3
O custo do disco original na guerra contra a pirataria
Nelson Gobbi
Novos números da indústria fonográfica brasileira
foram conhecidos anteontem, quando foi divulgada a pesquisa anual
de mercado da Associação Brasileira dos Produtores
de Disco (ABPD). 0 levantamento encomendado à empresa Ipsos
Insight mostra uma queda de 12% nas vendas de discos piratas no
Brasil, em relação à ultima consulta, realizada
em 2004. Os produtos ilegais, que representavam 52% do mercado em
2003, responderam por 40% do comércio de CDs no ano passado.
A pesquisa, feita nos 10 maiores centros de consumo de discos do
Brasil (São Paulo, Rio de janeiro, Ribeirão Preto,
Belo Horizonte, Porto Alegre, Curitiba, Recife, Salvador, Brasília,
Fortaleza), também traça um perfil do consumidor de
CDs originais e piratas - entre 1.209 pessoas, acima de 15 anos,
que adquiriram pelo menos uma unidade nos últimos três
meses. Segundo o estudo, os compradores de produtos originais são
representados percentualmente por pessoas com mais de 25 anos, economicamente
ativas, pertencentes a classes socais mais altas e com bom nível
de escolaridade. Dados que, em tese, indicariam que a pirataria
está mais ligada a uma questão social do que cultural.
Neste caso, o custo final do álbum, entre R$ 25 e R$ 30,
poderia ser encarado como um dos fatores responsáveis por,
indiretamente, direcionar o consumidor de média e baixa rendas
para o mercado ilegal? E, caso o preço do produto fosse reduzido,
a indústria teria melhores condições de combater
a pirataria? - Não há chance de um produto legítimo
competir com o pirata - frisa Paulo Rosa, diretor geral da ABPD.
- As falsificações não têm o mesmo custo
que o original. Paulo enumera as despesas que incidem sobre o preço
do disco, até chegar ao varejista: - O CD original tem custos
com produção, fabricação, distribuição,
aí incluídos transporte, armazenamento e entrega,
além de divulgação, direitos autorais e artísticos,
encargos sociais e tributos. Nada disso é pago por quem falsifica
ou vende produtos na ilegalidade. Computando todos estes custos,
Paulo Rosa afirma que o disco é distribuído ao varejista
a um valor médio de R$10. - Esse preço está
congelado há cinco anos - diz o diretor da ABPD. - É
o mercado varejista que tem mais condições de determinar
o preço final ao consumidor. E é preciso lembrar que
da produção até a venda no varejo, os tributos
que incidem sobre o disco são da ordem de 40%. 0 valor dado
por Paulo Rosa é contestado por Pedro Otávio Tibau,
dono da megaloja carioca de discos Modern Sound. Segundo o varejista,
esse preço se aplica às séries, que chegam
ao comércio mais baratas. - Os lançamentos chegam
à loja por R$ 27, R$ 28 - informa Tibau. - Há uma
certa falta de critério das gravadoras. Um mesmo produto
que chega a esse .preço, cai para até R$ 6,90, três
meses depois de lançado, caso seja preciso cumprir alguma
meta de venda. Pedro Otávio acredita ainda que o valor agregado
do disco diminuiu, quando passou a fazer parte de negociações
com as redes de lojas de departamento. - A indústria acabou
desvalorizando o CD, quando o colocou ao lado da prateleira de sabonetes
opina. Há também a questão do atendimento.
Ao contrário de uma loja, ninguém será atendido
em um magazine por um vendedor especializado em música. Ainda
que com preço acima do poder de compra da maioria dos brasileiros,
o disco original é o preferido de 60% dos consumidores, conforme
o relatório da ABPD. Segundo essa consulta, acrescida de
dados da Federação Internacional da Indústria
Fonográfica (IFPI), a queda da pirataria se deve à
intensificação da repressão a este tipo de
crime. - Há um avanço de políticas públicas
no combate à falsificação e pirataria. Mas
essa queda pode ser atribuída também à maior
conscientização do consumidor, por meios de campanhas
educativas ou da própria divulgação das ações
policiais. A rede Lojas Americanas, uma das maiores empresas de
departamentos do país, foi procurada pela reportagem do JB,
mas o responsável pela negociação de discos
com as gravadoras não foi encontrado para comentar os números
da pesquisa.
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