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Folha de S. Paulo – SP, 25/05/2006,
Dinheiro, B-13
Pela 1ª vez, DVDs musicais sofrem queda nas vendas
Thiago Ney
Tido como a salvação do mercado fonográfico,
o DVD foi o responsável por puxar para baixo os números
da indústria da música no Brasil em 2005. O relatório
anual da Associação Brasileira dos Produtores de Disco
(ABPD), que reúne as grandes gravadoras do país, que
será divulgado nos próximos dias, mostra que houve
uma queda de 12,9% da arrecadação com as vendas no
ano passado, em relação a 2004. O declive bate nos
20% se a comparação for feita com o número
de unidades comercializadas. O DVD é apontado como o "culpado"
pelos dados. O formato, que recheia 25,2% de todo o bolo, pela primeira
vez conhece a tendência pessimista de queda que já
acompanha o CD há alguns anos. Em 2005 foram vendidos 9,6%
menos unidades do que em 2004 (14,1% em valores). O mercado fonográfico
brasileiro movimentou de janeiro a dezembro do ano passado R$ 615,2
milhões com a venda de 52,9 milhões de cópias
de CDs e DVDs. Mesmo com o tombo dos números, o país
voltou a ocupar posição entre os dez maiores do mundo
(atrás de EUA, Japão, Reino Unido, Alemanha, França,
Canadá, Austrália, Itália e Espanha) -o mercado
global caiu 3%, e o campeão de vendas foi "X & Y",
do grupo britânico Coldplay. "Isso não é
motivo para comemoração", diz Paulo Rosa, diretor-geral
da ABPD, sobre o Brasil estar entre os dez primeiros. "É
um efeito da valorização do real em relação
ao dólar, o que torna as nossas vendas mais fortes."
Para tentar explicar os dados, João Éboli, presidente
da Universal, aponta três fatores: 1) "A concorrência
dos DVDs cinematográficos nos nossos canais de distribuição
[locais de comercialização]. Isso dividiu o consumidor";
2) "Não tivemos em 2005 um grande blockbuster como a
Ivete Sangalo, que vendeu 400 mil cópias de seu DVD";
3) "O avanço da pirataria em relação ao
formato DVD". Mas as gravadoras não seriam as principais
responsáveis pelo surgimento desses dois primeiros fatores,
já que 1) seus preços não estão competitivos
e 2) não procuram investir em novos artistas? "Com relação
aos preços, tivemos que reformular nossas margens para concorrer.
Eles já estão mais baixos. Sobre a questão
artística, isso afeta não só a indústria
fonográfica mas também a de cinema. Há anos
em que eles têm filmes grandes, em outros, não. Não
é toda hora que aparece uma Ivete Sangalo lançado
DVD comemorativo de dez anos de carreira. Aquele foi o DVD mais
vendido da Universal no mundo em 2004." No final, sobra para
a pirataria. "As gravadoras não podem fazer nada. Os
artistas continuam fazendo boa música, as gravadoras continuam
lançando, mas quem detém o poder de polícia
para coibir a pirataria é o governo, que quando entra em
ação, o faz de forma tímida", afirma Marcos
Maynard, presidente da EMI do Brasil. Para Rosa, da ABPD, a queda
das vendas de DVDs pode ser interrompida. "Não acho
que seja irreversível. Vamos conviver com os formatos físicos
por um bom tempo. Mas, nos países mais desenvolvidos, o mercado
de música on-line e via telefonia móvel vem compensando
a queda nas "vendas físicas". No Brasil isso ainda
não acontece. No ano que vem, espero que o relatório
traga boas estatísticas em relação ao consumo
de música virtual."
Indies não sofrem
O sofrimento das grandes gravadoras não é sentido
pelos independentes. "[Esses números] Não correspondem
à nossa realidade", diz Marcelo Afonso, gerente de marketing
da ST2 Records. "As majors têm táticas agressivas
quanto à colocação e a manutenção
de seus produtos, e arcam com as conseqüências."
"Nós, pelo contrário, registramos um crescimento
de vendas tanto de CDs quanto de DVDs", diz ele. "O mercado
está retraído, mas estamos lançando",
afirma Afonso, que pôs nas lojas discos de, entre outros,
Seu Jorge, Fatboy Slim e da cantora Cibelle.
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