MERCADO

 







 

Gazeta Mercantil – SP, 30/03/2006, Comunicação, C-6

DVD dá fôlego extra ao mercado de licenciamento

Marketing para novos vídeos coloca personagens em evidência e amplia vendas do setor. A evolução do mercado de DVDs vai além dos cofres das empresas de entretenimento para chegar e marcar território também no segmento de licenciamento. Nos últimos cinco anos, as vendas de DVDs subiram quase 20 vezes, segundo dados da União Brasileira de Vídeo (UBV), o que puxou para cima a verba de marketing para os lançamentos de discos e, consequentemente, a exposição das propriedades licenciadas. "O licenciamento aumenta porque os personagens se mantêm em evidência por mais tempo. Antes, ele durava três meses, agora a sobrevida é de seis a oito meses", afirma o diretor de licenciamento da ITC, Glenn Migliaccio. O executivo cita como exemplo recente o interesse da Garoto para licenciar os personagens do filme "Quarteto Fantástico" para a Páscoa. "O longa-metragem foi lançado no segundo semestre do ano passado e o DVD acaba de sair. A Garoto fechou contrato recentemente para a Páscoa e já teve toda a sua produção comercializada", diz o diretor da ITC. Segundo Glenn Migliaccio, o DVD envolve um forte material de ponto-de-venda para a divulgação de um lançamento. "Sempre há um chamariz para personagens infantis, além disso a comunicação inclui tablóides, displays e anúncios", comenta o executivo. A Bratz, outra propriedade licenciada pela empresa, também assistiu ao crescimento do interesse depois da chegada dos DVDs ao mercado. Foram dois lançamentos de discos no ano passado, o que representou um aumento entre 20% e 30% no número de contratos. E mais dois filmes estão previstos para este ano, além de um longa-metragem para o cinema, que estréia em 2007. O mesmo ocorreu com o clássico Garfield, o qual registrou aumento de 30% nas licenças, embalado pelo filme e posteriormente o DVD. O diretor da Redibra, David Diesendruck, explica que o fato de o DVD ser comercializado no mesmo ponto-de-venda que outros produtos licenciados também dá um fôlego extra para o setor. "Os DVDs são distribuídos nos mesmos canais de venda que os brinquedos, papelarias e até alimentos, o que cria uma sinergia", afirma o executivo da Redibra, ao acrescentar que a verba de marketing para a comunicação do lançamento cresceu ao longo dos anos. "A verba de propaganda é proporcional ao faturamento e isso gera impacto no setor", diz. De acordo com a União Brasileira de Vídeo, as vendas de DVDs no ano passado somaram 27 milhões de unidades. Em 2000, esse número - que não inclui os filmes de conteúdo adulto, musicais e os comercializados em revistas - era de 1,5 milhão. Em 2005 foram lançados mais de 1,4 mil títulos. "Há cerca de dois anos o DVD tem se mostrado importante para o aumento das vendas. É um impulso, mas não chega perto ainda da força do lançamento no cinema", revela o gerente de produto da Grow, Gustavo Arruda. "Agora aproveitamos duas ondas: uma quando o filme estréia e outra com a chegada do DVD", diz Arruda, complementando que cerca de 30% do faturamento da Grow é proveniente de produtos licenciados. O executivo explica que a data de lançamento do longa-metragem e, consequentemente, do DVD também influencia nos negócios. "Quando o filme chega ao cinema entre junho e julho, o DVD estará nas prateleiras perto do Dia das Crianças e Natal, o que mexe mais com a comercialização", informa o gerente. Para a gerente sênior de categoria da Disney, Fabiana Claudino de Castro Frois, o influência do lançamento dos DVDs na venda de produtos licenciados é argumento comercial no momento em os contratos são fechados. "Quando apresentamos a vida útil consideramos o lançamento do vídeo", diz a executiva da Disney. Um dos exemplos de sucesso foi a animação "Os Incríveis", lançada em dezembro de 2004, e que até hoje tem produtos no mercado. "Neste verão, por exemplo, licenciamos dois chinelos para Grendene", explica a gerente. Fabiana afirma que ao assistir ao DVD a criança tem um controle maior da situação. "Ela consegue parar e pular cenas", informa. Estima-se que uma criança veja até 30 vezes o filme em casa. "Isso gera um vínculo emocional que amplia vontade de consumo de camisetas e brinquedos que tenham aquele personagem", finaliza a gerente.