MERCADO

 







 

Gazeta Mercantil – SP, 13/02/2006, Comunicação, C-7

Projeto aproxima gravadoras do exterior

Estima-se que a indústria fonográfica movimente cerca de US$ 1 bilhão no Brasil. A exportação de CDs e DVDs, entretanto, corresponde a menos de 5% deste montante, segundo o presidente da Associação Brasileira da Música Independente (Abmi), Carlos de Andrade, para quem a música deve ser a "trilha sonora do comércio exterior". As gravadoras e associações de música independente trabalham para isso. O projeto Música do Brasil, que ganhou força no ano passado, caminha firmemente para alcançar a meta estabelecida em 2005, de exportar US$ 2,6 milhões até maio deste ano. Aliás, vai atingi-la antes do tempo determinado. Somente na última edição do Midem - uma das principais feiras da indústria fonográfica mundial -, que foi realizada no fim de janeiro, na Riviera Francesa, os negócios que resultarão do evento chegam perto de US$ 2 milhões, montante quase duas vezes maior do que foi registrado no ano anterior. "Há uma demanda por música brasileira", comenta o secretário de Políticas Culturais do Ministério da Cultura, Sérgio Sá Leitão. O projeto, que reúne três entidades do setor, recebeu, no ano passado, o apoio do Ministério, do Sebrae e da Apex-Brasil. "Isso é decisivo para trazer recursos financeiros para o País, porque retorno de imagem a música já vem trazendo há muito tempo. Ela se mantém por sua qualidade", comenta o presidente da Associação Brasileira de Gravadoras Independentes (Abgi), Solon Siminovich. "Há um potencial imenso lá fora. É preciso articular e aprofundar a atuação para atingir e saciar essa demanda", afirma Leitão, ao acrescentar que a indústria fonográfica mundial passa por um processo de transformação. "Em 2005, as vendas de CD e DVD tiveram uma queda de 7% ao mesmo tempo que as de fonogramas digitais tiveram uma alta de 150%." Segundo o presidente da Brasil Música e Arte (BM&A), José Carlos Costa Netto, no Brasil 80% do mercado da música circulam entre as quatro majors do setor - Universal Music, Sony BMG Music Entertainment, EMI e Warner Music. No caso das independentes, entretanto, não há uma circulação entre as sucursais, como ocorre com as quatro companhias. "Não existe interação com as pequenas, que são as que produzem e diversidade", diz o executivo, ao ressaltar a importância das feiras internacionais para colocar as gravadoras em contato com empresas internacionais. Esta, aliás, é uma das metas do projeto Música do Brasil. Planeja incluir as gravadoras na rota dos grandes eventos de negócios, além de capacitar as companhias e apresentar artistas brasileiros no exterior. Neste ano, por exemplo, o Brasil será tema da Popkomm, uma feira que ocorre em setembro na cidade de Berlim. Trata-se da primeira vez que um país não-europeu é o mote da exposição na Alemanha. A iniciativa é também parte da Copa da Cultura, que ocorrerá ao longo deste ano naquele país.

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E1) Revista Dinheiro – SP, 15/02/2006, negócios, 69

Gravadoras passadas para trás

Quatro moleques de Sheffield, no norte da Inglaterra, estão ensinando à indústria fonográfica uma lição de marketing para a era pós-iPod. Há mais ou menos um ano, o quarteto reunido na banda Arctic Monkeys começou a oferecer em seu site as músicas que iam gravando. Elas caíram no gosto da juventude inglesa e espalharam-se como vírus pelos sites de troca de arquivos musicais. Desde outubro, TODO o conteúdo do disco de estréia da banda estava disponível, gratuitamente, na internet. A irresponsabilidade do grupo parecia uma receita infalível para produzir um fiasco comercial. Afinal, quem pagaria por um disco que se pode ouvir de graça? Pois é. O esperado CD do Arctic Monkeys acaba de entrar para a história como o disco de estréia mais vendido de todos os tempos na semana de seu lançamento. Lançado no dia 22 de janeiro, teve 363.735 cópias comercializadas em sete dias – mais do que as vendas do resto do Top 20 britânico somadas. Detalhe: a banda não tem contrato com nenhum selo fonográfico global. Só recentemente os garotos assinaram um acordo com uma gravadora, a independente Domino Records. As grandes corporações de mídia ficaram de fora da festa.