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Diário do Nordeste - Fortaleza,
08/01/2006, Zoeira, 1 a 11
Um ritmo para todos
Quem hoje se esbalda chamegando ao som do forrozinho bom-demais
tem pouca ou nenhuma idéia sobre a origem desse ritmo “arretado”
que ganhou fama dentro e fora do País. De Luiz Gonzaga a
Aviões do Forró, de Marinês à Calcinha
Preta, muita música rolou. Mas uma coisa é certa,
pé-de-serra ou eletrônico, tradicional ou moderno,
o forró nunca saiu de moda. Nem dos salões! Remexendo
no baú da história podemos descobrir que o gênero
é uma mistura de ritmos africanos e europeus. O movimento
musical que aportou no Brasil sofreu, ao longo do tempo, fortes
influências de ritmos brasileiros, como: “Baião”,
“Xote”, “Xaxado”, “Coco”, “Vanerão”
e das típicas quadrilhas juninas. Aos poucos, essas variações
foram se espalhando e se adaptando às regiões. Ninguém
sabe ao certo dizer como surgiu o nome “Forró”.
O mistério divide estudiosos e músicos. A versão
mais popular é a de que o Forró vem da palavra “for
all” - que em inglês quer dizer “Para Todos”
(escrita nas portas dos bailes promovidos pelos ingleses que trabalhavam
na construção de uma estrada de ferro). Outros defendem
a tese que o nome vem do dialeto africano “forrobodó”.
Discordâncias à parte, o fato é que ele surgiu
e se consolidou dominando os quatro cantos do País. O sucesso
do ritmo quente e vibrante que não deixa ninguém ficar
parado, se dá pelo fato do pernambucano Luiz Gonzaga ter
acreditado e lançado o forró nacionalmente, em meados
de 1941. De lá para cá, outras influências agregaram
novos arranjos e rótulos ao gênero. Cada vez mais estilizado
e eletronicamente romântico sobre a harmonia do acordeon,
guitarra, baixo, sax e da bateria, o ritmo não perdeu os
instrumentos pioneiros (sanfona, a zabumba, o triângulo e
o violão) que lhe deram vida e contribuíram para o
seu sucesso. Sucesso este que lhe garantiu uma data nacional. Treze
de dezembro agora é o dia nacional do Forró. É
de lei! Como não? Para quem gosta de dançar coladinho,
chamegado ou simplesmente curtir o som do forró, a junção
da sanfona, zabumba e triângulo com instrumentos eletrônicos
como a guitarra, o baixo, sax e a bateria resultaram em um forró
mais estilizado. Uma invenção que recebeu o nome de
“New Forró” em 1992, pelo empresário cearense
Emanuel Gurgel. Hoje, dividido em vários segmentos o ritmo
tornou-se a identidade nacional de um povo, quebrou tabus e integrou-se
totalmente ao gosto do brasileiro, de Norte a Sul.
Caminho aberto para o sucesso
Em Fortaleza, na década de 80, o forró ainda era
um ritmo restrito aos salões particulares e aos admiradores
do ritmo. Foi nessa época que surgiram dois fenômenos
cearenses que expandiram o gosto pela música nordestina.
Embora cantando diferentes estilos, Eliane, a rainha do Forró,
com suas marchinhas e lambadas, e a dupla Sirano & Sirino, com
o baião e o forróbodó, chegaram a conquistar
palcos nacionais e discos de ouro. O rei do Baião Luiz Gonzaga
foi a grande referência para aqueles que davam os primeiros
passos para o sucesso no forró. Mesmo em meio às dificuldades
de divulgação, quando o forró mal era tocado
nas rádios, Sirano lembra que, em 1988, chegou a ficar em
primeiro lugar nas paradas de sucesso. Desde então, a dupla
gravou 16 discos, conquistando dois de ouro. Para Sirano, o sucesso
se deve ao fato da dupla cantar o sertão e o meio rural no
autêntico forró nordestino. “Nas minhas composições
eu uso os ditos populares e isso cai no gosto do povo”, diz.
E adianta que a dupla pretende lançar um DVD, logo depois
do Carnaval. “Fomos os primeiros forrozeiros a possuir estúdios
e produzir o próprio DVD”, completa. Já a Rainha
do Forró, como Eliane ficou conhecida depois de ser condecorada
com o título em Fortaleza e ser apresentada desta forma no
programa do Chacrinha (foi o Velho Guerreiro quem lhe entregou seu
disco de ouro, em 1987), se diz uma cantora versátil. “Além
do forró, sempre cantei outros estilos como lambada, marchinhas,
xote, forrobodó e os ritmos latinos”, diz. Com 23 anos
de carreira, a cantora gravou 24 discos e pretende lançar
seu DVD.
Fenômenos que arrastam multidões
Não tem como resistir. O forró dominou o cenário
musical brasileiro e, hoje, não há sequer um cantinho
do Brasil que não saiba cantarolar os hits desse ritmo que
faz o mais tímido dos mortais ter vontade de dançar
agarradinho no salão. Tratados como pop stars, os vocalistas
das bandas de forró param o trânsito e lotam as casas
de shows. Têm fã-clubes, comunidades no Orkut e vendem
milhões de CDs por ano, desafiando sem medo até a
famigerada pirataria. Quem é fã de forró não
tem medo de demonstrar a paixão. Usa camisa da banda, sabe
as letras de cor e salteado e aumenta o som para quem quiser ouvir.
Ouvindo o CD de bandas como Aviões do Forró, Calcinha
Preta, Brasas do Forró, Limão com Mel, Líbanos,
Magníficos, Forró Real , Forró Saborear e outras
dezenas de grupos que estão estourados pelos Brasil afora,
fica fácil entender porque eles arrastam multidões.
Nos palcos, vozes possantes e corpos sensuais que se deixam embalar
pelas batidas quentes e contagiantes do forró. No salão,
centenas de pessoas delirando ao presenciar aos mega-espetáculos
que ultimamente vêm dominando as maiores casas de shows. Beleza,
visual, alegria e muita música, são as regras dessas
bandas que aguçaram o gosto musical de um povo. Especialista
no assunto, o apresentador do programa “Forróbodó”,
da TV Diário, Tony Nunes, confirma que o ritmo está
no auge, sofisticando-se ao ponto das bandas investirem milhões
nos shows. “A cada dia surgem novos grupos, cantores e compositores,
renovando o forró. Com isso, o público também
se renova”, observa. O gerente de programação
da FM 93 e apresentador do programa “Sábado Alegre”,
Will Nogueira, observa que o forró atual tem várias
influências, como um produto de exportação do
Ceará e, como tal, é moda. “Isso não
quer dizer que seja passageiro porque ao longo do tempo devem haver
transformações”, diz.
´Eu vivo de música´
O forró ainda era tocado somente nas festas juninas quando
um empresário apostou alto na idéia de transformá-lo
em fenômeno nacional. O investimento vingou e hoje o nome
Emanuel Gurgel é sinônimo de sucesso e uma referência
para todos que adotaram o ritmo como meio de vida. Considerado o
pai do Forró Eletrônico - que alia novos instrumentos
aos tradicionais - ele lançou a banda Mastruz com Leite,
que estourou em 1992 e é sucesso até hoje. De lá
pra cá toda uma indústria se desenvolveu em torno
do gênero musical. E, assim como seu nome virou “grife”,
sua empresa, a SomZoom Gravações e Edições
Musicais Ltda, tornou-se o caminho certo das bandas que vêm
de todo Brasil para gravar no Ceará. A empresa trabalha desde
a edição das composições até
a distribuição dos CDs e DVDs. Mas teve muito chão
até chegar nesse ponto. Gurgel lembra, no começo,
a divulgação foi difícil porque as rádios
tocavam o gênero somente durante as festas juninas. “Eu
questionava porque eles tocavam axé o ano todo se era um
estilo carnavalesco e o forró eles não podiam tocar”,
diz. Segundo Gurgel, na época ainda não havia compositores
especializados, sendo necessário adaptar as músicas
sertanejas para nosso ritmo chamegado. Mas, como tudo evolui, Emanuel
Gurgel se orgulha de ter descoberto a compositora Rita de Cássia,
que tem 150 sucessos, e o compositor Luis Fideles. “Atualmente,
nós temos milhares de composições para serem
analisadas, passamos dias inteiros ouvindo novas músicas”,
declara. Vencido este desafio, um ainda maior surgiu: a pirataria.
A partir de 2001, a venda de CDs de forró sofreu uma queda
drástica. “Então a vendagem deixou de ser o
carro chefe do faturamento. Hoje, ela funciona como um cartão
de visitas da banda”, explica. Novamente Emanuel foi além.
Mandou fabricar 100 mil discos para distribuição gratuita,
divulgando o último trabalho de sua banda. Hoje, o empresário
observa que seu investimento não foi em vão. O número
de bandas e o gosto pelo ritmo nordestino cresceu muito no Brasil
e chegou até outros países. Ele estima que, somente
no Nordeste, existem cerca de 3.500 bandas. E se o número
de artistas cresceu, não poderia ser diferente com as gravadoras
e estúdios. Conforme Gurgel, há cerca de 20 gravadoras
e 30 estúdios em Fortaleza. Em média, uma hora de
gravação custa R$ 50,00. Além disso, o Ceará
também conta com uma indústria de fabricação
de CDs, a CD+, situada em Caucaia, Região Metropolitana de
Fortaleza. Além de empresariar as bandas Mastruz com Leite,
Cavalo de Pau, Catuaba com Amendoim, Mel com Terra e Calango Aceso,
a SomZoom atende em suas dependências cerca de 40 bandas por
ano. Desta forma, tem uma vendagem anual que se aproxima dos 2,4
milhões de CDs em todo o Brasil. Mais números de sucesso?
Tem sim! De acordo com Gurgel, sua empresa já vendeu 20 milhões
de CDs, 250 mil DVDs e lançou 450 discos. E tome forró!
Melhor professor de forró do País
O título de melhor professor de forró do Brasil pertence
a um cearense. O estudante de Educação Física
Artur Lima recebeu o prêmio em setembro do ano passado, em
São Paulo, pelo trabalho que realiza junto a portadores de
necessidades especiais. Um Estado que tem como ritmo oficial o forró
- e dezenas de lugares para dançar (ver matéria na
página 10) - só poderia mesmo ter o melhor professor
do Brasil. O estudante de Educação Física Artur
Lima recebeu o título, em setembro, durante a edição
2005 do prêmio Quality Internacional de Empresas e Profissionais,
em São Paulo. Artur, que dá aulas de forró
há 18 anos, inscreveu o trabalho que realiza junto a portadores
de necessidades especiais no concurso e acabou sendo eleito o melhor
professor de forró do Brasil. “Não pensei que
fosse ganhar. Este prêmio para mim é um reconhecimento
por um trabalho feito com muito prazer”, afirma. “Isso
ajuda a fortalecer o forró e a divulgar a nossa cultura”,
completa. O professor conta que o interesse em ensinar pessoas com
limitações físicas a dançar começou
assim que ele passou a dar aulas em academias. “Via aquelas
pessoas dançando e pensava nas que não tinham a oportunidade
de aprender”, lembra. “Não tem recompensa maior
do que ver a evolução e a alegria de expepcionais
ou deficientes visuais, por exemplo, dando os primeiros passos na
dança”. Arturzinho, como é conhecido nas academias
onde dá aulas atualmente, chegou a trabalhar num plano de
saúde, mas trocou o paletó e sapato de bico fino pelo
tênis e a camiseta. De lá para cá, ele já
morou em São Paulo e foi bailarino de cantores como Beto
Barbosa, Sirano e Rita de Cássia e da banda Limão
com Mel, excursionando por todo o Brasil. “Dançar é
o que eu gosto de fazer e se eu ainda puder viver disso e ajudar
às pessoas a terem uma vida melhor, não há
felicidade maior”, revela.
Serviço Artur Lima dá aulas particulares através
do Disk Forró. Basta ligar 3254-4432 ou 8801-8607 para agendar
uma aula individual ou em grupo.
No ritmo das férias
Dezesseis atrações, 37 bares, 45 mil metros quadrados
de área e um público estimado em 60 mil pessoas em
três dias de muita festa. Estes são os números
do Janeiro Forró, festival que a TV Verdes Mares promove
entre os próximos dias 13 e 15, no Parque do Vaqueiro. Num
espaço privilegiado, com uma completa estrutura de apoio,
estarão reunidas as principais bandas de forró do
Brasil. Uma grande festa feita para celebrar a cultura em torno
do ritmo que é a cara do Ceará. Aliás, nunca
tantas atrações estiveram reunidas no mesmo espaço
para um festival de forró. Aviões do Forró,
Limão com Mel, Companhia do Calypso, Mastruz com Leite, Magníficos,
Forró Real e Forró Moral são algumas das atrações
confirmadas. O objetivo é divulgar ainda mais aquele que
já é considerado um dos principais produtos de exportação
do Ceará, aproveitando o grande fluxo de turistas no Estado
durante este mês. A iniciativa faz parte do Projeto Nordeste,
idealizado pela Rede Globo, que prevê a realização
de diversos eventos de valorização da cultura da região.
Pela sua dimensão, o Janeiro Forró deve integrar o
calendário fixo de eventos de Fortaleza, do qual já
fazem parte o Fortal, dedicado ao axé music, e o Ceará
Music, voltado para os fãs do pop rock nacional. Agora é
garantir o ingresso e cair no forró!
Serviço Janeiro Forró - De 13 a 15 de janeiro, no
Parque do Vaqueiro. Pacote para os três dias à venda
nas farmácias Pague Menos. Primeiro lote a R$ 60,00 (inteira)
e R$ 30,00 (meia, com apresentação da carteira de
estudante), com direito a quatro CDs de forró e mais um ingresso
para o show da Banda Calcinha Preta, no dia 20 de janeiro. Ingressos
individuais também à venda. Informações:
3230.1111
Festival terá cobertura especial
Por se tratar de um dos maiores festivais de forró já
realizado no País, a TV Verdes Mares preparou uma cobertura
especial do evento. De acordo com Paulo Nóbrega, chefe de
produção da emissora, os telespectadores não
perderão um só detalhe do Janeiro Forró. No
dia 13, serão transmitidos flashes, ao vivo, do Parque do
Vaqueiro, durante o “Jornal do 10”. No dia seguinte,
o “Jornal do Meio-Dia” exibe matéria com os melhores
momentos da noite de abertura e, à noite, mais flashes no
“Jornal do 10”. No domingo a equipe de jornalismo prepara
duas matérias especiais, que serão mostradas no “Bom
Dia Ceará” e no “Jornal do Meio-Dia” da
segunda-feira. Paulo Nóbrega acrescenta ainda que especiais
sobre as bandas que se apresentarão no Janeiro Forró
já vêm sendo exibidos no “Jornal do Meio-Dia”.
A produção das matérias está a cargo
de Kélvia Ribeiro, Cláudia Rosas e Gislene Carneiro.
O sucesso começa aqui
Do tradicional ao sofisticado, o sucesso é garantido aos
artistas que encontram pelo caminho, empresários como Assis
Monteiro, produtor de várias bandas que hoje estão
no topo do sucesso. Ver as bandas saírem do anonimato para
se tornarem sucesso nacional é a maior satisfação
do empresário, produtor fonográfico e proprietário
da AM Produções Artísticas, Assis Monteiro,
também conhecido como “Pastorzão”. Ele,
que está no mercado da música há 20 anos, destaca
que o Ceará é o maior difusor e produtor de sucessos
no forró. “Para fazer sucesso, as bandas precisam estourar
primeiro aqui e, só depois ir para os outros estados”,
afirma. Vários grupos carimbados no cenário nacional
começaram suas carreiras nas mãos de Monteiro, entre
eles, Brasas do Forró, Gaviões do Forró e Cheiro
de Menina. Depois de produzir o CD, Monteiro aponta a divulgação
como fator essencial para que banda comece a ter espaço e
reconhecimento. Para isso, ele conta com a força do Rádio
e da TV e produz as apresentações para aproximar suas
bandas do público local. Daí, o futuro é o
prestígio e a popularidade. Os clubes e casas de shows são
também espaços que, segundo ele, devem ser explorados
e trabalhados pelas bandas. O gosto e a procura por lugares para
dançar forró cresceu tanto em Fortaleza, que as casas
tradicionais atingem seu público máximo facilmente.
“Visto a demanda, nós temos projetos para expandir
e aumentar o número de locais para dançar forró”,
adianta Monteiro. Hoje, estão ligadas à AM as bandas
Tiaguinho e Mala Mansa, Forró Real, Forró Moral, Chibata
Preta e a Cheiro de Menina.
É para dançar!
Além do título de Terra do Sol, não é
de se estranhar que Fortaleza ostente também o de Capital
do Forró. Com a mesma velocidade que novas bandas surgem
e emplacam sucessos nas rádios, casas de forró abrem
em profusão pela cidade. Lugar para dançar é
o que não falta. E tem para todos os bolsos e gostos. De
acordo com o empresário Rubens Barrocas, um dos proprietários
do Sítio Tá Bonito, o sucesso do forró não
é recente. “O ritmo pode até estar numa fase
de superexposição na mídia nacional, mas por
aqui ele nunca saiu de moda”, afirma. “O que vêm
e vão são bandas, mas o forró sempre teve e
sempre terá seus admiradores”. Rubens comemora a atual
fase que o ritmo atravessa, com o surgimento de novos músicos
e compositores de forró pé-de-serra. “Tudo isso
vem para consolidar o forró e a cultura nordestina”,
diz. Um dos proprietários do Cantinho do Céu, Rômulo
Costa, revela que, há cinco anos, quando a casa foi aberta,
o forró estava em outro período de moda, mas no decorrer
dos anos a casa conquistou fãs e uma identidade própria.
“Tem gente que vem pelo lugar, sem nem saber as atrações.
Mas já sabe aqui o forró é bom”, diz.
Para Moacir Gonçalves, do Curral do Boi, o surgimento de
novas casas, incluindo a sua, que funciona anexa ao restaurante
Boi do Sertão desde 2004, deve-se a uma exigência do
próprio público. “Nós, por exemplo, já
trabalhávamos com a promoção da cultura regional
através da culinária e da música, mas não
tínhamos um espaço específico para os clientes
dançarem”, ressalta. “Eles que nos despertaram
para esta necessidade e está dando certo”, completa.
Uma das casas pioneiras da cidade a apostarem no forró pé-de-serra
foi o Kukukaya. Há nove anos, conforme atesta Elaine Brito,
uma das proprietárias do lugar, havia uma carência
de espaços dedicados ao estilo em Fortaleza. “O sucesso
foi tanto que tivemos que mudar para um espaço maior”,
lembra ela.
CD bom e barato
Basta prestar atenção no Centro da cidade para perceber:
todas as lojas especializadas em venda de CDs têm no forró
o carro-chefe das vendas. Os discos mais procurados ganham destaque,
em bancas dispostas em locais estratégicos, com preços
que variam de R$ 3,99 a R$ 11,90. Olhando ainda mais atentamente
é possível perceber estabelecimentos que trabalham,
exclusivamente, com CDs populares. Lojistas que atuam nesse ramo
calculam que 70% de tudo que passa pelas caixas registradoras têm
a marca do forró. “Esse sempre foi um produto vendável.
Mas, hoje, ele se tornou uma febre, um estouro que vem ganhando
cada vez mais fãs. Pelo som e pelo preço”, diz
o vendedor Edgar Bezerra. Também observa que o mercado atual
apresenta um público bem diversificado. “Nós
vendemos para pessoas de todas as classes sociais. E o turista que
visita a gente também compra muito. Afinal, além de
ser um ritmo contagiante, o forró tem mais opções
e menor custo”. O paraense Osvaldo Ferreira é um dos
clientes que toda semana dá uma passadinha nas lojas para
ver os lançamentos e enriquecer seu acervo que já
tem perto de três mil CDs. “Todos originais”,
acrescenta.
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