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A briga pelo DVD de alta definição
O Estado de S. Paulo – SP, 27/12/2005, Economia, B-11
A guerra pelo controle do DVD da próxima geração aproxima-se de um ponto crítico: na primeira semana do novo ano, no Consumer Electronics Show, em Las Vegas, as companhias que defendem os dois padrões concorrentes de DVD de alta definição – Blu-Ray e HD-DVD – vão apresentar suas linhas de novos tocadores e títulos de filmes. Mas há sinais de que a batalha pela supremacia neste mercado multibilionário pode levar a uma vitória sem valor. Enquanto fabricantes de eletrônicos, companhias de tecnologia e estúdios de Hollywood discutem as qualidades de seus formatos, os consumidores rapidamente encontram alternativas à compra e à locação de DVDs, de alta definição ou não. “Enquanto eles brigam, Roma queima”, disse Robert Heiblim, consultor de fabricante de eletrônicos. “O vídeo de alta definição sob demanda e os gravadores digitais de vídeo são convincentes. As pessoas vão perguntar: ‘Por que preciso disso?’, ao considerar se devem ou não comprar um tocador de alta definição”. A disputa entre os grupos do Blu-Ray e do HD-DVD é baseada em visões diferentes do desejo do consumidor. O campo do HD-DVD, liderado pela Toshiba, acredita que os consumidores vão comprar DVDs e tocadores de alta definição, mas só se o preço for bom. Assim, a companhia está melhorando a atual tecnologia do DVD, o que pode ser feito com rapidez e baixo custo. O grupo do Blu-Ray acredita que algo totalmente novo é necessário para atrair o interesse dos consumidores, e por isso desenvolve discos com capacidade para permitir recursos inovadores no futuro. Mas as duas partes concordam que já é hora de introduzir os discos e tocadores de DVD de alta definição. As vendas de televisores de alta definição, com desenho arrojado e qualidade superior de imagem e som, disparam, e as grandes emissoras transmitem mais programas em alta definição. As alternativas a estes novos tocadores e DVDs aumentam. A mais promissora é a programação sob demanda – normal e em alta definição – oferecida por emissoras a cabo. A fatia de clientes de cabo que assistem à TV sob demanda dobrou no último ano, chegando a 23%. Com milhares de filmes disponíveis a qualquer hora, os consumidores têm menos motivos para alugar um DVD ou comprar um novo. E eles vão pensar antes de gastar US$ 1 mil num tocador de DVD de alta definição, ou US$ 25 no disco de um filme que podem ter em definição normal.
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