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Consumidor descobre alternativas ao
DVD
Folha de S. Paulo – SP, 27/12/2005, Dinheiro, B-11
Ken Belson
Tradução de Luiz Roberto Mendes Gonçalves
A guerra pelo controle da próxima geração do
DVD está se aproximando de uma encruzilhada crítica:
durante a primeira semana de 2006, na Feira de Produtos Eletrônicos
de Las Vegas, as empresas que adotam os padrões concorrentes
de DVD de alta definição -Blu-ray e HD-DVD- vão
lançar suas linhas de novos aparelhos e títulos de
filmes. Há sinais crescentes de que a batalha pela supremacia
desse mercado de bilhões de dólares poderá
levar a uma vitória inútil. Enquanto os fabricantes
de eletrônicos, as companhias de tecnologia e os estúdios
de Hollywood defendem as vantagens de seus formatos, os consumidores
estão rapidamente encontrando alternativas à compra
e ao aluguel de DVDs, em alta definição ou não.
"Enquanto eles brigam, Roma está queimando", disse
Robert Heiblim, um consultor independente de empresas eletrônicas.
"O vídeo de alta definição "on-demand"
[por encomenda] e os gravadores de vídeo digital [que gravam
em um disco rígido, sem usar fitas ou discos] são
atraentes, e as pessoas indagarão: "Por que preciso
disso?"." As alternativas estão crescendo. A mais
promissora é a programação "on-demand",
oferecida por empresas de TV a cabo. A porcentagem de clientes que
assistem a programas "on-demand" dobrou em 2004 nos EUA
e atingiram 23%, segundo o grupo de pesquisa Leichtman. Com milhares
de filmes grátis disponíveis, os consumidores têm
menos motivos para alugar ou comprar um DVD. Também pensarão
duas vezes antes de gastar US$ 1.000 por um aparelho ou cerca de
US$ 25 para possuir um filme que talvez já tenham. É
claro que essas novas maneiras de assistir a vídeos ainda
são uma pequena parte do mercado e os executivos e analistas
do setor dizem esperar que a maioria dos consumidores continue comprando
DVDs por vários anos. Mesmo sem essas alternativas, os DVDs
de alta definição enfrentam um início imprevisível.
A incapacidade de os grupos Blu-ray e HD-DVD chegarem a um acordo
significa que os consumidores devem considerar dois tipos de máquinas.
Eles provavelmente vão esperar o fim da batalha dos padrões
para não ficarem com um equipamento obsoleto.
Flexibilidade
Enquanto isso, outras companhias tornam mais fácil assistir
a filmes de alta definição e copiá-los. A Scientific-Atlanta
vende um aparelho com gravador de vídeo digital e gravador
de DVD embutido, com o qual os assinantes de cabo podem usar uma
única máquina para gravar a programação
e "queimá-la" em discos. "Os consumidores
estão se habituando ao vídeo "on-demand"
e à flexibilidade de transportar o conteúdo pela casa",
disse Ted Schadler, analista da Forrester. "A batalha sobre
o formato é uma idiotice. Para que o produto cresça,
eles têm de promover os benefícios do HD, e não
lutar entre si." As empresas que participam dos grupos Blu-ray
e HD-DVD dizem que a divisão entre os computadores e os aparelhos
eletrônicos está se tornando imprecisa e que os novos
formatos devem permitir que os usuários transfiram filmes
e outros conteúdos entre vários equipamentos. Não
é de surpreender que eles considerem os computadores como
o principal canal, e não como equipamentos isolados. "Se
os PCs não adotarem essas tecnologias, 2006 será um
ano fraco" para a próxima geração de DVDs,
disse Maureen Weber, gerente-geral do grupo de armazenagem pessoal
da Hewlett-Packard. "Tudo se resume ao desejo da Microsoft
e da Sony de dominar a "casa conectada". É um duelo
entre os equipamentos eletrônicos e os computadores pessoais
pela convergência." Mas hábitos dos consumidores
também são enraizados. "Você pode mudar
a tecnologia quanto quiser, mas não pode mudar as pessoas",
disse Andy Parsons, porta-voz da Blu-ray, que diz que a maioria
de fãs de música compra CDs. "O público
médio quer assistir ao filme e comprá-lo. É
exagero pensar que vai substituir o modelo que usa há décadas."
Mas até o público médio pode aprender rápido
quando tem opções mais baratas e convenientes
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