MERCADO

 







 

Revista Época – SP, 28/11/2005, Tecnologia, 94

Um espião no computador
Alexandre Mansur

A Sony BMG, a maior gravadora do mundo, saiu chamuscada na guerra contra a pirataria. Na semana passada, a empresa anunciou que vai retirar do mercado americano aproximadamente 5 milhões de CDs que trazem embutido um sistema para evitar cópias ilegais. Quando inseridos no computador doméstico, eles instalam um programa, batizado de XCP, que monitora a existência de versões não-autorizadas de músicas e vídeos da Sony - dedurando on-line para os servidores da gravadora. Não bastasse a invasão de privacidade, especialistas em informática identificaram dois vírus que se aproveitam do XCP para fazer estragos. O programa também reduz em 1% a performance das máquinas do usuário comum. Para desinstalá-lo, pode ser preciso reformatar o disco rígido. Na segunda-feira 21, o procurador-geral do Estado do Texas, nos Estados Unidos, entrou com uma ação contra a gravadora. Alega que a empresa violou as leis contra spyware, como são chamados esses programas que levantam secretamente informações sobre os usuários de computadores pessoais. A lei texana prevê multas de US$ 100 mil por spyware. Analistas de tecnologia acreditam que mais ações judiciais poderão vir. O spyware da Sony vem em mais de 50 títulos de artistas como Dexter Gordon, Ricky Martin e Celine Dion lançados nos EUA. A empresa anunciou que vai trocar os CDs vendidos com spyware por cópias 'limpas'. Mas há outro programa semelhante ao da Sony, o MediaMax, que vem em 20 milhões de CDs de artistas, como Santana. Só os Macs e computadores com Linux são imunes a esses programas. No Brasil, a gravadora afirma que nenhum disco foi prensado com o XCP ou o MediaMax. Não informa, porém, como deve proceder quem comprou um CD importado com o spyware.Apesar de o tiro da Sony ter saído pela culatra, outras empresas adotaram spywares para controlar os hábitos dos usuários. A Microsoft, desde julho, exige a instalação de um aplicativo para fazer o download de atualizações do Windows XP. Esse programa identifica se a versão do Windows é legítima. Se não for, o usuário só pode baixar atualizações de segurança do sistema operacional. 'Cerca de 1,5 milhão de pessoas já instalaram o programa no Windows em português brasileiro', informa Alexandre Leite, da Microsoft no país. Desses usuários, 64% tinham cópias piratas. A empresa garante que o programa não dá informações pessoais sobre os usuários nem compromete a segurança do micro. Mas, 24 horas depois do lançamento do programa, já circulava na internet um patch gratuito para desabilitar o software de vigilância da Microsoft.