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O Globo – RJ, 29/08/2005, Informática
Iguais mas nem tanto
Elis Monteiro
A parte da frente de um DVD Player parece bula de remédio de tão complicado. Lá, pode-se ler DVD-R/RW; DVD+R/RW; DVD-RAM; DVD+R DL; DVD-RW, DVIX, além da família CD. Ou seja, comprar um aparelho de DVD é mais complicado do que parece. E não dá para pedir à indústria que ajude a diminuir a confusão porque a criação de um padrão universal mexe com toda a cadeia de valores, ou seja, os fabricantes se juntam para criar formatos e deles não querem abdicar. A coisa complica ainda mais quando o esperançoso usuário gasta seus caraminguás com a aquisição, digamos, de uma coleçãozinha básica de DVDs com todos os episódios de sua série de TV preferida e, ao ligar, lépido e faceiro, o DVD Player do quarto, simplesmente nada acontece. É que o tal aparelho se recusa a ler o formato usado na gravação da preciosidade. O que fazer? Bem, neste caso, nada. Mas dá para pesquisar antes de levar um aparelho para casa e dar preferência àquele que suporte o máximo possível de formatos. Nem todos os aparelhos têm compatibilidade total. Por isso, é bom conhecer um pouco sobre cada formato. Vamos lá?
Você sabe o que é um DVD com dupla camada?
O tipo de DVD mais difundido é o DVD-R, seguido do DVD+R. Os dois são discos de 4.7Gb de capacidade e podem ser usados para gravação de vídeo. Os dois são praticamente iguais. A única diferença é que na gravação de arquivos comuns (que não sejam os de vídeo), o desempenho do +R é superior ao do -R: o primeiro é lido mais rápido. Na prática, a diferença é quase imperceptível. Apesar da grande difusão, nem todos os reprodutores de DVD são capazes de ler DVD-R e DVD+R, dando preferência aos pré-gravados ou outras versões mais novas. Por isso, antes de gravar um filme ou uma série de TV, por exemplo, vale checar se o seu player doméstico é capaz de reproduzir o formato que você escolheu para gravar. Como o DVD-R é o mais difundido, acaba sendo também o mais barato. O preço de mercado é R$ 5, mas pode-se encontrar até por R$ 3 (o +R chega a ser 50% mais caro). A versão permite apenas uma gravação. O motivo é que a mídia DVD-R é dotada de uma cobertura de tinta metálica similar à do CD-R que, uma vez tendo recebido a gravação, impede que outras sejam feitas por cima. Uma coisa é certa: segundo Fernando da Rocha, da LG, uma tendência que tem se mostrado cada vez mais forte é o desaparecimento do DVD+R, que tem como principais fabricantes a Sony e a Philips. Para quem muda de idéia como muda de roupa e adora ficar gravando e regravando, vale a pena adquirir os formatos regraváveis como DVD-RW e DVD+RW e o DVD-RAM (o mais caro de todos, veja o box), que usam material de liga metálica e permite múltiplas gravações, como acontece com o CD-RW. Dupla camada não significa gravar dos dois lados, ok? Formato muito semelhante ao DVD+R, o DVD+R DL permite a gravação em dupla camada (double layer), o que aumenta muito a capacidade de armazenamento. — Muita gente pensa que dupla camada significa que você pode gravar nos dois lados do DVD (risos). Não é assim — explica Fernando da Rocha, supervisor de produtos da LG. — Com a dupla camada, a capacidade de armazenamento pode subir de 4.7Gb para 8.5Gb. Os DVDs industriais são, na maior parte das vezes dual layer justamente por causa da capacidade maior. Assim, por exemplo, é possível gravar em um DVD um filme pesado como “Procurando Nemo”, que ocuparia todo o espaço em dupla camada. A LG é uma das fabricantes de DVD Players e gravadores de DVD que tem investido fortemente no mercado brasileiro. Lançou recentemente uma nova linha de dispositivos ópticos composta por cinco produtos, dentre eles gravadores de DVD Super-Multi, que têm compatibilidade total com todos os formatos de mídia do mercado. — Na briga das mídias, a LG decidiu estar em todos os lados. Nossa política é ter o máximo de compatibilidade possível, por isso a empresa criou a parente Super-Multi, que é compatível com todos os formatos — diz Fernando. E por que cargas d'água todas as fabricantes de gravadores e DVD Players não fazem a mesma coisa? — Por que não haver uma mídia só? Bem, toda mídia tem uma patente, uma empresa que a registrou que quer ganhar com ela. E para suportar aquela mídia, a fabricante é obrigada a pagar por essa patente, por isso algumas escolhem não ter todas — diz Fernando da Rocha. Se a indústria não chega a um consenso sobre formatos, o consumidor já demonstrou que sedutor é o produto que mostra flexibilidade e, claro, que seja o mais simples possível. Além disso, segundo Sérgio Baptista, gerente de home entertainment da Philips Brasil, o consumidor também tem mostrado interesse em produtos com características especiais, como portabilidade e possibilidade de executar formatos musicais como MP3 e, na parte de vídeo, novidades como Divix. A própria Philips anunciou, semana passada, o modelo DVP5100K, que, além de suporte a Divix, tem reprodução multiformato e conexão para karaokê. O pequenino DVP 3005 é, disparado, o campeão de vendas da marca. Isso porque, além de ser portátil — o que pode ser ótimo para entreter crianças nas viagens — ele toca todos os formatos de CD. A Philips também lançou o modelo PET700, com tela de cristal líquido integrada e reprodução de DVD+R/RW; CD-R e CD-RW, MP3 e CDs com fotos em JPEG. — A idéia é que a tecnologia seja o mais simples possível e que não exija muito do consumidor, que não precisa se preocupar com formatos e com sopa de letrinhas —diz Sérgio Baptista. É bom ficar de olho porque nem sempre, nas lojas, os vendedores sabem indicar os players com maior compatibilidade de mídias. — O ideal é já chegar na loja depois de pesquisar na internet, por exemplo. Nem sempre o vendedor vai saber responder se o aparelho é compatível com todos os formatos — aconselha Fernando da Rocha. O DVD vai ou não tomar, de vez, o lugar do CD? Enquanto o Blu-Ray não chega para colocar ordem na casa, continua a briga entre DVD e o velho CD (sim, já ficou velho, afinal, seus estudos datam da década de 70). Mas será que nove anos não foram suficientes para o DVD desbancar o seu antecessor? — Esta não é uma transição rápida. Pense bem: quem vai gastar um DVD com, digamos, uma apresentação de 100Mb, se ele é capaz de armazenar 4.7Gb? O CD vai existir ainda por um bom tempo por causa da necessidade de se gravar arquivos não tão grandes — diz Fernando, da LG. É, mas se não ficarem de olho, os dois, assim como o HD DVD (leia box acima) perderão seu espaço para o Blu-Ray, pelo menos na preferência dos usuários. Pesquisa realizada pelo instituto americano Penn, Schoen and Berland Associates, realizada com 1.200 entrevistados, constatou que, caso já estivesse comercial em larga escala, o Blu-Ray seria o formato preferido por 58% das pessoas ouvidas. A pesquisa considerou, dentre outros fatores, empresas que defendem cada formato, capacidade de armazenamento, disponibilidade de filmes e data de lançamento do formato. O Blu-Ray ficou com 58% da preferência dos entrevistados; já o HD-DVD ficou com meros 16% ( EM ).
O futuro ao Blu-Ray Disc pertence
O DVD (Digital Versatile Disc, antes chamado Digital Video Disc) foi criado em 1995 pelo consórcio Philips/Sony/Toshiba/Time Warner e chegou ao mercado em 1996 com mais capacidade, qualidade e versatilidade que o CD. Tinha início, aí, uma guerra que só agora, nove anos depois, começa a arrefecer, quando o mercado intensifica anúncios de produtos compatíveis com o novo formato Blu-Ray. Desenvolvido pelo consórcio Blu-ray Disc Association (BDA), <www.bluray disc.com>, que reúne 13 fabricantes — LG, Panasonic, Philips, Pioneer, Hitachi, Mitsubishi, Samsung, Sharp, Sony, Thomson, entre outras —, além de HP, Dell e Disney, que não são fabricantes de gravadores/leitores de DVD, mas participam também da definição do padrão, o Blu-Ray tem todos os predicados para se tornar a próxima geração de discos ópticos para vídeos de alta definição e grandes quantidades de dados. Segundo definição da Wikipedia, o nome Blu-Ray surgiu por conta da utilização, no disco, de um curto laser azul para sua leitura, que lhe permite armazenar mais dados que um DVD, que usa laser vermelho mais longo. Os dois, no entanto, terão o mesmo formato. Um Blu-Ray Disc poderá armazenar entre 23.3Gb e 50Gb. Mas não vai ficar por aí: para 2010, espera-se que estudos em nanotecnologoa já em andamento gerem resultados que aumentem a capacidade dos Blu-discs para até 1 terabyte (!). Enquanto isso, um grupo formado por NEC, Sanyo e Toshiba corre atrás da definição e popularização do que já que é considerado o principal rival do Blu-Ray: o HD DVD, que tem capacidade de armazenamento entre 15Gb e 20Gb. — O principal problema do HD DVD é que ele não é um padrão definido para PC — diz Fernando Rocha, da LG. Dentre as empresas que já anunciaram apoio ao HD DVD estão New Line Cinema, Paramount Pictures, Universal Studios e Warner Bros, além da Microsoft, que já trabalha ao lado da Toshiba no desenvolvimento de produtos que aceitem o disco óptico em formato HD DVD. O disco poderá, inclusive, rodar em Xbox. Ainda não há consenso, mas acredita-se que o Blu-Ray disc possa vir a decretar, enfim, a trégua definitiva na guerra de formatos que divide a indústria. Oxalá ( EM ).
Os formatos de DVDs
Os DVDs podem ser divididos em DVD para vídeo, DVD gravável uma vez, DVD regrávavel, DVD-ROM (para leitura) e DVD de áudio. Abaixo, os formatos principais. DVD-R e DVD+R: Ambos só permitem uma gravação e têm grande compatibilidade com a maioria dos leitores de DVD. DVD+R DL: É semelhante ao DVD+R, mas permite gravação em dupla camada (double layer), aumentando a capacidade de armazenamento. DVD-RW: Versão do DVD-R que permite ser regravada e apagada mil vezes. É lido pela maior parte dos players mais novos. Pode ter problema, no entanto, com os antigos. DVD+RW: Versão regravável do DVD+R que só toca em players mais novos. Permite gravar mil vezes. DVD-RAM: É a mais interessante das mídias: é mais segura e não só permite gravar e apagar cem mil vezes, como funciona como uma espécie de pen drive. Dentro dela, é possível editar os arquivos sem que seja necessário copiá-los novamente. No entanto, mesmo com tantas vantagens, ainda é compatível com poucos leitores de DVD e custa caro: em torno de R$ 40.
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