MERCADO

 







 

Gazeta Mercantil – SP, 13/07/2005, Comunicação, C-6

Os CDs de músicas católicas aquecem mercado fonográfico

Segmento já tem números significativos para contrapor-se à forte indústria evangélica. No próximo fim de semana, um público de cerca de 20 mil jovens, predominantemente das classes C e D, na sua maioria estudantes ou trabalhadores, e que tem como principal afinidade a religião, vão se reunir num evento que, por falta de público e artistas, seria impensável há não pouco tempo. Trata-se do Católica Show, um mega evento que vai reunir católicos dentro e fora do palco, a exemplo do já se tornou lugar comum entre os evangélicos. "O Católica Show será uma verdadeira maratona com em 12 horas de música, com artistas do segmento musical católico, presença de padres-cantores e muitos artistas populares", esclarece Ana Paula Barbosa, produtora do Católica Show, com seis anos de carreira e já tendo participado de apresentações da Jornada Mundial da Juventude em Roma - inclusive diante do Papa -, Paris e também em Toronto. O Católica Show vem provar uma realidade: o segmento fonográfico católico atinge a sua maturidade e já tem números significativos para se contrapor à forte e mundialmente reconhecida indústria da música evangélica. Pelo menos no Brasil. Os números falam por si: Padre Zezinho já registrou 1 milhão de CDs vendidos. O cantor Dunga, 800 mil CDs, o conjunto Anjos de Resgate, 500 mil, a cantora Adriana, 300 mil, e, claro, padre Marcelo Rossi, 10 milhões de CDs vendidos, diz a Associação Brasileira de Produtores de Discos. O Católica Show vai encerrar a terceira edição da Expo Católica, feira de negócios de produtos religiosos que começa hoje e vai até domingo (17), no Pavilhão Azul do Expocenter Norte - das 11h às 21h. As principais gravadoras do segmento também participam da ExpoCatólica, entre elas, Paulinas Comep, Duplo Louvor, Codimuc, Canção Nova, Mensagem Brasil e Solo Sagrado. O evento musical Católica Show vai receber 23 apresentações das principais bandas e artistas da música católica, como Anjos de Resgate, Dom, Louvor, Cantores de Deus e o cantor Dunga. Os destaques são a banda Família Lima, que tem um repertório mais amplo de música clássica, mas acima de tudo conta com o aval de ter tocado para o papa João Paulo II e o conjunto de rock católico do momento, o Rosa de Saron. Para os empresários Fabio Castro e Vitor Tavares, diretores da Promocat, empresa responsável pela organização do evento, da mesma forma que a ExpoCatólica tem como objetivo a promoção do mercado de livros e artigos religiosos, o Católica Show foi criado para promover o segmento da música católica, como negócio. "Com conteúdo evangelizador, mas sem deixar de lado a qualidade musical, eventos como o Católica Show são cada vez mais profissionais no que se refere à produção. Isso faz com que este setor também projete um futuro promissor, assim como os livros e artigos religiosos", diz Ana Paula. Para ela, a música católica tem um papel importante em levar o jovem de volta à igreja católica. "Esta música vem anunciar o Evangelho. Esta é sua missão. Ela quer mostrar que a Igreja Católica é jovem, moderna e totalmente compatível com os meios modernos", afirma. O movimento de música católica começou há mais 30 anos com o Pe. Zezinho, mas o grande desenvolvimento é recente e em boa parte fruto de movimentos como a Renovação Carismática e do surgimento de grandes grupos de comunicação ligados à da Igreja como Canção Nova, Rede Vida e outros. Com o sucesso do padre Marcelo Rossi, o mais famoso, no início dos anos 90, outros artistas de origem católica lançaram-se em empreendimentos audaciosos, gravando CDs e DVDs ao vivo, alavancando suas vendas. Ana Paula conta que a música católica se utiliza dos mais variados ritmos. "Uma das mais famosas bandas, a Dominus, faz sucesso com o ritmo do axé music. Já a Rosa de Sarom, grupo jovem preferido do momento, explode nas paradas com o mais puro rock-n’roll. Além disso, música sertaneja, romântica e até música eletrônica conquistam cada vez mais espaço." A ExpoCatólica foi lançada em São Paulo há dois anos. Entre os expositores da terceira edição da ExpoCatólica estão editores, confecções de paramentos, fabricantes de móveis, utensílios, equipamentos, profissionais especializados em restauro de obras de arte, artistas plásticos, decoradores e agentes de viagens. Além de artigos religiosos em geral, com a exposição de mais de 30 mil itens, reunindo uma gama de serviços, produtos e ferramentas para a gestão de cerca de 100 mil estabelecimentos religiosos espalhados pelo País, com um público-alvo de cerca de 20 mil religiosos, provenientes de quase 9 mil paróquias brasileiras, além da porção majoritariamente católica da população, o que movimenta um mercado de R$ 8 bilhões segundo a Promocat, empresa responsável pelo desenvolvimento da ExpoCatólica. A empresa foi criada a partir da união da Distribuidora Loyola, que atua na distribuição de livros e artigos católicos há 13 anos, e Velas Nova Luz, fornecedora de velas para a Basílica de Aparecida, o maior consumidor de velas do País, com 8 toneladas semanais do produto.