MERCADO

 







 

O Estado de S. Paulo – SP, 30/06/2005, Economia, B-17

Mercado de música digital aposta na nova geração de consumidores
Renato Cruz

A saída parece mesmo ser dar adeus aos CDs. A explosão da venda de música digital pela internet - que aconteceu em 2003 nos Estados Unidos, com o lançamento do serviço iTunes, da Apple - deve chegar ao Brasil este ano. Pelo menos é o que espera a iMusica, empresa do grupo Ideiasnet. "Este é o grande ano da música digital no Brasil", afirmou o diretor-comercial da empresa, Paulo Lima. "A decisão tomada pela Suprema Corte dos Estados Unidos (ver texto ao lado) dá ainda mais visibilidade ao modelo de negócios." Criada em 2000, a iMusica tem site próprio e também oferece o serviço de venda de música para 27 portais e varejistas online, como MSN Music, iG, Americanas.com, Yahoo e BrTurbo. Lima apontou que, no Brasil, o processo para venda de canções digitais é mais complicado, porque, além das gravadoras, responsáveis pelos direitos de intérprete, os direitos autorais precisam ser negociados com as editoras. "Nos Estados Unidos, é tudo direto com as gravadoras." Em 2003, a indústria fonográfica brasileira diminuiu 17%, faturando R$ 601 milhões, de acordo com a Associação Brasileira dos Produtores de Discos (ABPD). "A nova geração não compra CD", explicou Lima. "Ela liga o computador para ouvir música." As unidades vendidas baixaram 25%, para 56 milhões. A iMusica tem acordos com 125 gravadoras, mas, entre as grandes, somente com a EMI. "Até o fim do ano, queremos ter todas as grandes." Hoje, a empresa oferece 85 mil músicas, no formato Windows Media Audio, da Microsoft, com preços entre R$ 0,99 E R$ 3,99. No iTunes, da Apple, as canções custam US$ 0,99. "Estamos conversando com as gravadoras para que os preços não passem de R$ 2,99." A empresa vende cerca de 20 mil músicas por mês. O objetivo da companhia é oferecer de 300 mil a 500 mil músicas até o fim de 2005, atingindo a marca de, pelo menos, 100 mil downloads mensais.

Impulso

Paulo Lima espera um impulso com o lançamento de mais tocadores de música digital que aceitam o formato da Microsoft no segundo semestre. O formato Windows Media Player possui o chamado Digital Rights Management (DRM), ou gerenciador de direitos digitais, que permite às gravadoras limitarem a cópia dos arquivos de música vendidos. "Elas podem limitar, por exemplo, até sete cópias de cada música para CDs", explicou o executivo, acrescentando que o formato dá garantias aos artistas que não existem no MP3, o formato mais popular da internet. "Nossa atividade principal é o gerenciamento de mídia digital."

Corte americana dá vitória às gravadoras

Depois de terem processado seus consumidores, e ganhado, as gravadoras e os estúdios de cinema americanos conseguiram na segunda-feira uma vitória na Suprema Corte. Os juízes decidiram, por unanimidade, que as empresas de troca de arquivos pela internet, também chamadas de redes peer-to-peer (P2P), podem ser processadas pelo conteúdo pirateado que circula por elas. A ação foi movida pela Metro Goldwin-Mayer (MGM) contra a StreamCast, dona dos serviços Grokster e Morpheus. As empresas de internet argumentavam que não poderiam ser acusadas de pirataria, porque seu serviço também pode ser utilizado para a troca de conteúdo legal. Outros sistemas de troca de arquivos são o Soulseek, o eMule e o BitTorrent. O caso foi considerado pela indústria o mais importante do direito autoral a chegar à Suprema Corte nos últimos 20 anos. Em 2003, a venda de discos caiu 7,6% no mundo, de acordo com a Federação Internacional da Indústria Fonográfica. Foi a quarta redução consecutiva. A indústria põe a culpa na pirataria. O Napster, pioneiro do mercado P2P, foi derrotado na Justiça e hoje pertence a uma multinacional. A decisão deve incentivar serviços como o iTunes, da Apple, lançado em 2003. No começo deste mês, a empresa vendeu 3,3 milhões de músicas em uma semana. Além disso, os consumidores baixaram mais de 500 mil canções grátis, no mesmo período. No primeiro ano de operação do iTunes, as pessoas compraram mais de 70 milhões de músicas, o que representou mais de 70% de participação na venda legal de música pela internet.