MERCADO

 







 

Tribuna da Imprensa – RJ, 24/06/2005, Economia, 10

Um ranking nada agradável

Em 2004, 52% dos discos vendidos no Brasil eram cópias ilegais, o que coloca o País na nona posição entre os países com maior comercialização de música pirata, segundo o Relatório Mundial de Pirataria Fonográfica, apresentado ontem. No mundo, 34% dos discos vendidos são cópias ilegais, num negócio que movimenta US$ 4,6 bilhões, informa o relatório da Federação Internacional de Produtores Fonográficos (IFPI), divulgado em Madri devido ao "enorme problema da pirataria na Espanha", segundo o presidente da entidade, John Kennedy. As vendas de CDs piratas no Brasil - afirma o relatório superaram às legais em 2004, apesar da recuperação parcial do mercado. No entanto, as políticas anti-pirataria do governo brasileiro foram lembradas pelo relatório como um passo em direção ao início de ações que coíbam o problema. Segundo o relatório da IFPI, os dez países onde a pirataria faz mais estragos são Paraguai (99%), China (85%), Indonésia (80%), Ucrânia (68%), Rússia (66%), México (60%), Paquistão (59%), índia (56%), Brasil (52%) e Espanha, que com 24% é o único país da União Européia (UE) que figura na lista. A lista ainda é composta por mais quatro países: Bulgária, Canadá, Coréia e Taiwan, onde a pirataria, tanto física quanto pela internet, está se transformando em um foco de especial atenção. O Paraguai - afirma o estudo - é o principal ponto de saída de discos piratas na América Latina. Os principais destinos da produção do país são Brasil e Argentina, mas segundo a IFPI houve progressos no controle do tráfico do produto graças à implementação de uma unidade policial especializada em pirataria na região. Segundo a IFPI, o México deixou de ser um dos mercados fonográficos mais importantes do mundo por causa da pirataria. Mas iniciativas como a adotada por Guadalajara tiveram efeito positivo. A cidade transformou as lojas piratas em pontos de venda legais. Ao mesmo tempo, o governo mexicano promoveu mudanças na lei para criminalizar a atividade, além de ter melhorado as ações de repressão policial contra a pirataria. Apesar da "magnitude do problema" no mundo, é percebido um certo avanço na luta contra a comercialização ilegal de música, "graças às medidas postas em andamento por alguns países", como Brasil, México, Hong Kong e Espanha. Devido a essas medidas, o "crescimento da pirataria desse tipo de suporte foi reduzido significativamente nos últimos três anos", informa a IFPI. Além disso, foram fechadas várias fábricas com capacidade para produzir 380 milhões de CDs, o que representa a metade do mercado americano. Durante o ano passado também houve um recorde, com a apreensão de 28.350 gravadores de CDS, o dobro de 2003. Apesar disso, a comercialização CDs piratas de música foi superior ao mercado legal em 31 países do mundo, incluindo, pela primeira vez, Chile, República Tcheca, Grécia, Índia e Turquia. A todos esses dados, o presidente da IFPI acrescentou que "a indústria da música luta contra a pirataria porque, se não fizesse isso, o setor simplesmente não existiria". "Nos próximos anos as administrações públicas e a sociedade terão de levar a pirataria muito a sério, não só de música, mas em todas suas modalidades. Já não é aceitável que os Governos fechem os olhos ou considerem a pirataria como um mal social pequeno", disse Kennedy. O relatório também chama a atenção sobre o crescente fenômeno da pirataria na internet, que, junto com a pirataria física, vai centrar as prioridades de atuação da indústria durante os próximos anos. A IFPI afirma que o mercado pirata "destrói emprego, prejudica o investimento e financia o crime organizado".