MERCADO

 







 

Gazeta Mercantil – SP, 10/06/2005, Legislação, A-11

País perde R$ 15 bi com a pirataria

Pesquisa realizada pelo Ibope revela o perfil do consumidor de produtos pirateados. Mais que um problema econômico, a pirataria é o crime que mais cresceu nos últimos dez anos no Brasil. A afirmação é do deputado e também vice-presidente da CPI da Pirataria, Julio Lopes (PP-RJ). Por ano, estima-se que o País perde cerca de R$ 15 bilhões com a pirataria. E somando a esse número as perdas com sonegação de imposto e contrabando, estima-se que o Brasil perde cerca de R$ 160 bilhões. "Deixando de arrecadar, aproximadamente, 30% do valor de impostos anuais", afirma Emerson Kapaz, presidente do Instituto Brasileiro de Ética e Concorrencial (Etco). Só em tênis e roupas falsificados a estimava é que o País perca cerca de R$ 9 bilhões anuais de impostos. Deixando de criar mais de dois milhões de empregos formais. Outros problemas com essas práticas, em conjunto com a sonegação, são a alimentação de um mercado informal que muitas vezes acabam financiando outras atividades criminosas, como o tráfico de armas e drogas. Pensando em como combater esse problema social, o sindicato Nacional dos Técnicos da Receita Federal (Sindireceita), realiza desde ontem até amanhã, o seminário internacional "Combate Estratégico ao Contrabando e à Pirataria - Uma abordagem integrada", em Foz do Iguaçu. Para o presidente do Sindireceita, Paulo Antenor de Oliveira, será uma oportunidade para discutir o combate da pirataria e o contrabando de forma integral. "O evento servirá para discutir medidas para a educação, a repressão e o lado econômico." E acrescenta, "não podemos encarar essa situação apenas com ações repressivas. Nosso objetivo é apontar alternativas para o equilíbrio sócio-econômico da região". Só na região de Foz do Iguaçu, estima-se que pelo menos 90 mil pessoas colaboram para engrossar as estatísticas de envolvidos com essas práticas ilegais, que são, muitas vezes, fonte de renda para milhares de famílias.

Pesquisa

Ao contrário do que muitos acreditam, os produtos falsificados são consumidos por pessoas de todas as classes sociais, variando apenas a ordem de preferência, indica a pesquisa realizada pelo Ibope para o Instituto Dannemann Siemsen (IDS), a Câmara de Comércio dos Estados Unidos (US Chamber) e a Warner Bros. Consumer Products. Enquanto os entrevistados das classes A e B afirmam ter comprado, nos últimos 12 meses, jogos eletrônicos (15% e 17% dos entrevistados, respectivamente), brinquedos (17% e 27%), relógios (10% e 16%) e óculos (10% e 16%), a classe C prefere as roupas (21%), brinquedos (21%), tênis (17%) e os relógios (16%). Entre as principais imitações compradas pelas classes D e E estão roupas (18%), brinquedos (16%), tênis (15%) e relógios (14%). Quanto à faixa etária, a compra de produtos falsificados está fortemente concentrada na população mais jovem, que já tem decisão de consumo, mas baixo poder de compra. Os itens preferidos pelos jovens entre 16 e 24 anos são roupas (31%), brinquedos (21%), tênis (21%) e relógios (18%). Já na população com mais de 50 anos, a compra de imitações é menos difundida. O Ibope conversou com 602 pessoas em São Paulo, explica José Henrique Vasi Werner, do IDS, "porque o estado representa cerca de 50% do mercado consumidor de produtos falsificados no País".